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Diogenes_Laertios_-_Vidas_e_Doutrinas_dos_Filosofos_Ilustres

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Diogenes_Laertios_-_Vidas_e_Doutrinas_dos_Filosofos_Ilustres
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   I GMESL ÊPOS  j?   n FUNDAÇÃO  UNIVERSIDADE DE  BRASÍLIA Reitor:  Cristovam  Buarque Vice-reitor:  João  Cláudio Todorov EDITORA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA  ons lho  ditorial José  Caruso  Moresco  Danni  -  Presidente José  Walter  Bautista  VidalLuiz Fernando  Gouvea  LabouriauMurilo Bastos da CunhaOdilon Ribeiro  Coutinho Paulo Espírito Santo Saraiva Ruy  Mauro MariniSadi Dal RossoTimothy Martin  Mulholland Vladimir CarvalhoWilson Ferreira Hargreaves DEDALUS Acervo FFLCH FIL 21000048649 SUMÁRIO  Os  algarismos romanos indicam  os  livros,  e os  arábicos  os  parágrafos  -  entreparênteses na  tradução). Introdução Livro  I -  Origem  e  precursores  da filosofia. -Prólogo.  Origem  do  estudo  da filosofia. -  Origem  do  termo  filósofo . -Os  Sete Sábios. Origem  da filosofia  propriamente dita. -As  escolas  filosóficas. -Diversas classificações dos filósofos. -  Diversas escolas  ou  seitas  filosóficas  e  seus  fundado- res. ,-Tales.-Sôlon. -Quílon.-Pítacos.   Bias.   Cleôbulos. -Períandros. 13 1-11 12 13 14-15 16-1819-21 22-44 45-6768-73 74-81 82-88 89-93 94-100 101-105-Anácarsis.106-108-Míson.109-115-Epimenides. 116-122-Ferecides. Livro  II -  Primeiros  filósofos  propriamente dilos  e  seus sucessores. 1-2  -Anaxímandros. 3-5  -Anaximenes. 6-15  -Anaxagoras. 16-17  -Arquélaos. 18-47  -Sócrates. 48-59  -Xenofon. 60-64  -Aisquines.65-104 -Arístipos. 105  -Fáidon. 106-112-Eucleides. 113-120-Stílpon. 121  -Críton. 122-123-Símon. 124  -Gláucon  e  Símias.      > á mais preciosa*  obra  antíga  con-servada a respeito da filosofia edos  filósofos  gregos. Felizmente  o  autor  não era ele mesmo  um  filósofo e por  isso  li- mitou-se, quanto  às  doutrinas,  a expor  as  idéias  dos  mais impor-tantes pensadores gregos,  desde as  srcens da  filosofia  e os cha-mados Sete Sábios até  os  últimosescolarcas  da  Academia platônica e do  Liceu  aristotélico,  abrangen- do  cerca  de  oitenta  filósofos. Entretanto, muitas vezes  as  Vidas são mais uma história dos  filó- sofos  que uma história da filoso- fia e de certo modo pertencemtanto  à  literatura quanto  a filo- sofia  propriamente dita. Essa ca-racterística  dá um  interesse aindamaior  à obra, que o  exigenteNietzsche achava preferível  à grande história  da filosofia  grega de Zeller em  seis  alentados  volu- mes principalmente por seu con-teúdo humano. Com  efeito,  umdos méritos das  Vidas  é a evocaçãopalpitante da atmosfera do mun- do em que  viveram  os filósofos antigos, graças  aos  numerosos detalhes  aparentemente margi- nais  e aos elementos míticos e fantásticos  misturados  z anedotasde sabor popular, na realidademuito  significativos  e esclarece-dores. As  Vidas  constituem  a fonte  prin- cipal  para o conhecimento dasfilosofias  epicurista  e  estóica  , e são  importantes para o  escudo  do ceticismo  e das  ramificações  dafilosofia socrática (o  cinismo,  o hedonismo e a  dialética).Esta  tradução põe agora ao alcan- ce dos leitores de  língua  portu- guesa uma  obra  do  mais  alto  in-teresse não  somente  para  os es- pecialistas  mas  também  para  os leigos. De  Diôgenes Laêrtios sabemosapenas que sua  obra  foi  escrita nasprimeiras décadas do século III d.C. VIDAS  E  DOUTRINAS  DOS  FILÓSOFOS ILUSTRES S D FFLCH USP  INTRODUÇÃO 1 O Autor Nada se sabe com certeza a respeito de Diôgenes Laêrtios, e há dúvidas atésobre seu nome, que também  aparece  em alguns autores posteriores  Stêfanos  deBizántion e  Fótios)  como Laêrtios Diôgenes; os manuscritos apresentam essasegunda forma, e Eustátios usa simplesmente Laertes. Atualmente adotam-se asduas primeiras fôrmas, sendo Diôgenes Laênáos a mais tradicional. Quanto  à sua época, admite-se com  base  em evidência  confiável  que ele teria vivido  no século III, pois nosso autor menciona Sextos Empeiricôs e Saturni-nos (no Livro IX, §  116),  que viveram na parte final do século II. Por outrolado, Fótios  Biblioteca,  Códex 161)  diz que  Sôpatros  de  Apamea (século IV), discípulo de lâmblicos,  citava  em uma de  suas  obras  trechos  de  Diôgenes  Laêrtios. Sendo assim, o autor das  Vidas  tê-las-ia escrito nas primeiras décadas do  sé- culo III e teria sido um contemporâneo mais novo de Lucianos, Galenos, Filôstra-tos e Clemente de Alexandria, não muito distante de Apuleio e Atênaios. Há, entretanto,  quem  o ponha no  século  IV, com  fundamentos também razoáveis. As  Vidas  e  Doutrinas  dos  Filósofos  Ilustres  não  foram  a  única  obra  de  DiôgenesLaêrtios. Antes de  escrevê-las  eleja  havia publicado uma coletânea de epigramas de sua  autoria  intitulada Parâmetros  ( Todos  os  Metros ), citada  no  Livro  I, § 39. O Parâmetros  continha  epitáfios  de  homens ilustres,  e  nosso autor introduziugenerosamente em sua obra conservada esses epigramas, aliás sempre medíocres.Com vistas às tendências  filosóficas  de Diôgenes Laêrtios, a julgar por umamenção  no § 109 do  Livro  IX, ele  teria sido  um  cético, pois  se  refere  a  Apoionidesde  Nícaia,  adepto do ceticismo, como sendo ''um dos nossos . Entretanto, consi-derando que a obra de nosso autor se compõe mais de transcrições que de contri- buições  srcinais, a  referência  pode ter sido reproduzida inadvertidamente de uma de  suas numerosas  fontes.  A  mesma circunstância também explicaria  os elogios  fervorosos  de  Diôgenes Laêrtios  a  Epícuros  Livro  X, § § 9 e  138),  sem  indi- car  entretanto sua condição de adepto de Epícuros. Acresce que nosso autor nãopode  ter  sido simultaneamente cético  e epicurista. Em  suma, este biógrafo  de filó- sofos  não  explicita  em  parte alguma  da  obra  a  pretensão  de ter  estudado  filosofia  e não  dá  demonstração segura (descartadas  as  duas mencionadas pouco acima,ambíguas pelas razões aduzidas) de ter pertencido a qualquer das escolas filosófi- cas  a que alude. 2.  A  Obra Na  subscrição dos manuscritos mais antigos o título da  obra  aparece comosendo  Coleção  das  Vidas  e das Doutrinas dos  Filósofos,  em Dez  Livros.  Em  outros  6  DIÔGENES LAÊRTIOS manuscritos  a  subscrição  é:  Vidas  e  Doutrinas  dos  Filosofai  Ilustres  e  Dogmas  de cadaEscola em Dei  Livros além  do  título mais curto  de  Vidas  dos  Filósofos A  intenção de Diôgenes  Laêrtios  é apresentar os principais pensadores gregos, tanto os  . sábios mais antigos quanto  os filósofos  propriamente ditos.  Antes  da obra de nosso autor já haviam sido escritos numerosos  livros  do mesmo gênero, demuitos  dos quais ele faz  transcrições  e  citações, porém  somente sua obra conservou-se.Embora sejam poucas as alusões de escritores posteriores a esta  obra, podemos  de  certo modo seguir  seu  caminho.  No  século  VI  de  nossa  era  Stêfanos  de Bizântion  cita três  vezes  as  Vidas.  Fótíos, patriarca  de  Constantinoplaem  858-867  e878-886,  diz-nos que  Sôpatros,  mencionado no início desta introdução, referiu-se às  Vidas.  Há  outras menções  a  elas  no  Léxico  de  Suídas  (ou, segundo autoresmodernos, a  Suda] baseado em parte na obra congênere de Hesíquios de  MÍletos (final  do  século  VI);  Eustátios  e  Tzetzes  (século XII) também  aludem  às  Vidas. A  notícia seguinte já vem do Ocidente europeu. No século XIII, época doapogeu da Escolástica, as primeiras traduções latinas de Aristóteles despertaram acuriosidade dos leitores em relação a outros  filósofos  mencionados pelo estagirita. Um  inglês, Walier  de  Burleigh  (1275-1357),  discípulo  de  Duns Scotus, esforçou-se por satisfazer  essa curiosidade escrevendo  uma  obra  em  latim,  De  Vita  et  Moribus Philosophorum inspirada principalmente numa suposta tradução  das  Vidas  deDiôgenes  Laêrtios por  Enricus  Arisrippus  (século  XII?).  Na Renascença, já noséculo  XV,  veio  a  público  uma  tradução latina feita  por Ambrosius Traversarius, e meio século mais tarde foi impresso em Basiléia o texto grego. A obra de nossoautor suscitou extraordinário interesse, recebendo atenção entusiástica, entreoutras de  Montaigne.  Para citar somente os mais ilustres, Casaubon, Henri Estienne,  Ménage e Gassendi a editaram e comentaram. As primeiras histórias da Filosofia,  publicadas nessa  época,  eram pouco mais  que  adaptações  e  ampliações das  Vidas.  Os  editores  da  Antologia Palatina  e de seu  apêndice aproveitaram-se  deseus  epigramas,  e os  compiladores  das  primeiras coleções  dos  fragmentos  dos poetas cômicos gregos utilizaram muito material contido em Diôgenes Laêrtios. Apareceram  edições separadas  das  epístolas  e  fragmentos  de  Epícuros  (Livro  X),uma das  partes mais  valiosas  da  obra. Não  escapará  ao  leitor  atento  o  fato  de as  Vidas  serem, antes  de  tudo,  a  obra  deum compilador  incansável, a ponto de não perceber que se aplicava  perfeitamente a ele mesmo a observação de Apolõdoros de Atenas em relação a Crísipos, reproduzidapelo  próprio Diôgenes Laêrtios:  Se tirássemos das  obras  de  Crísipostodas as  citações alheias,  suas  páginas  ficariam em  branco (Livro  VII,  §  181).  A princípio,  entretanto,  não é  fácil  perceber tudo que é transcrição na obra, pois as referências  incontáveis evam  a  pensar  em  erudição, mas, baseados  em  critérios estilísticos  e  outros, logo notamos  que  quase  todas elas provêm  de  autores mais antigos, que  Diôgenes  Laêrtios reproduz,  seja  diretamente,  seja  por  meio  decompiladores  intermediários. Não é  possível  determinar com certeza e precisãoquantas  das  centenas  de  fontes (cerca  de  duzentas)  ele  próprio  leu. Pode-se todaviasupor com bons fundamentos que Diôgenes Laêrtios leu os compiladores mais VIDAS E  DOUTRINAS  DOS  FILÓSOFOS  ILUSTRES famosos- por  exemplo,  Hêrmipos,  Sotíon, Demétrios  de  Magnesia  e  Apolõdoros^ por ele citados abundantemente. É  óbvia  sua  falta  de  espírito crítico  em  relação  às  fontes,  o que não é de admirar, pois essa carência é característica de sua época. Ele aceita a lenda dos Sete Sábios,  com sua troca de visitas e cartas protocolares, e reproduz ingenuamente asafirmações mais absurdas constantes  das  obras  dos  compiladores precedentes, sem estabelecer sequer  uma  hierarquia  das fontes e sem a mínima  preocupaçãocom  a  coerência, como acontece  no  caso  da  inserção  de  notas marginais (escólios)num  contexto  onde  a  intrusão salta  aos olhos  (principalmente  no  Livro  X,  onde  taisintrusões  abundam( a >). Notam-se igualmente equívocos decorrentes da utilização negligente degrande número  de  transcrições,  a  ponto  de  algumas terem  ido  encaixar-se  numa Vida  errada-por  exemplo,  no § l do  Livro  II  atribui-se  a  Anaxímandros  uma  des-coberta de Anaxagoras, além da confusão de Arquêlaos com Anaxagoras, de Xenofanes  com  Xenofon  e de  Protagoras corn Demôcritos( b ). Na  realidade  as  Vidas  e  Doutrinas  dos  Filósofos  Ilustres  muitas vezes  são  mais  uma história dos filósofos que uma história da filosofia, e pertencem mais à literaturaque à própria filosofia. Mas, sua importância e seu interesse talvez  sejam  aindamaiores porque aparece pouco do próprio autor na obra, onde em geral elereproduz exatamente o que está sob seus olhos nas fontes de que se serve. E nacomparação  que  podemos  fazer  de sua  Vida  de Pitágoras com as  Vidas  do  mesmofilosofo de autoria de  lâmblicos  e  Porfírios,  de seu Platão com o de Olimpiôdoros,de  seu Sôlon com o de Plútarcos,  Diôgenes  Laêrticos não sai  perdendo.Segue-se um resumo do plano da obra.O Livro I começa com um prólogo, onde são mencionados sumariamente osconhecimentos  pré-filosóficos  fora  da  Grécia  - dos  Magos  na  Pérsia,  dos  Caldeus, dos Ginosofistas (ou  faquires)  na  índia  e dos Druidas,  alguns  dos  quais eram consi-derados com boas razões anteriores aos mais antigos filósofos gregos. O restantedo Livro  I, que tem  pouco  a ver com a ilosofia  propriamente  dita,  trata  deTales;  de Sôlon  e de outros homens sagazes em assuntos de ordem mais prática,  cujas  vidas foram  romanceadas. No  Livro  II  começa  a  sucessão  dos filósofos  iônicos,  que se  teria iniciado  comTales e  prosseguido  com  Anaximenes,  Anaxagoras  e  Arquêlaos  até  Sócrates.  A apreciação  de  Sócrates traz  a filosofia  para  Atenas  e  seus  arredores; onde nosso autor  permanece  ao  longo  do  Livro  II, dos  Livros  III (Platão), IV (a  Academia),  V (os  Peripatéticos),  VI (os  Cínicos)  e VII (os Estóicos).  Concluída  assim a  sucessãoiônica,  que se  desdobra  em  muitos  ramos  diferentes,  Diôgenes Laêrtios desenvol- ve  a  sucessão italiota  no  Livro  VIII,  abrangendo Empedoclés  e  Êudoxos.Os Livros IX e X incluem vários  pensadores  de  importância considerável,embora  desvinculados uns dos  outros  tanto doutrinária como cronologicamente. No  Livro  IX  aparecem após Herácleitos  os Eleatas, os Atomistas, os Céticos,Diôgenes  de Apolônia (um iônio tardio ) e o  sofista  Protagoras. Finalmente o Livro  X é  dedicado  em sua  totalidade  a  Epícuros, constituindo  no  consenso geral  a  a Na tradução  essas  intrusões  aparecem  entre  parênteses duplos.  Veja se o  antepenúltímo  parágrafodesta introdução. (b)  Vejam-se os livros II,  J  16, e  LX,  §  J  18 e 50.
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