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Resiliência: Enfrentando os Desafios do Ambiente Acadêmico e da Vida

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RESUMO: Vivemos em uma sociedade que exige de seus membros a excelência no desempenho e na competitividade, especialmente nas esferas acadêmica e do trabalho, dois lugares de valorização social. Este artigo, de cunho teórico, tem como objetivo
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  Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, ISSN 1984-2147, Florianópolis, v.9, n.23, p.14-23, 2017. RESILIÊNCIA: ENFRENTANDO OS DESAFIOS DO AMBIENTE ACADÊMICO E DA VIDA Resilience: Facing Life and Academic Challenges Idonézia Collodel Benetti 1  João Paulo Roberti Junior  2  Fernanda Ax Wilhelm 3   _______________________ Artigo encaminhado: 17/02/2014 Aceito para publicação: 21/11/2017 RESUMO: Vivemos em uma sociedade que exige de seus membros a excelência no desempenho e na competitividade, especialmente nas esferas acadêmica e do trabalho, dois lugares de valorização social. Este artigo, de cunho teórico, tem como objetivo abordar o fenômeno da resiliência. Para isso, apresenta a definição do termo como se encontra na literatura atual e pontua algumas estratégias para a promoção da mesma visando ao enfrentamento das adversidades não somente nas instituições, mas também na vida. Há ênfase no fato de que, sendo a resiliência é uma jornada pessoal, é importante aprender sobre o fenômeno e usar o conhecimento para orientar-se.  Palavras-chave : Resiliência acadêmica. Definição. Estratégias.  ABSTRACT: We live in a society that requires its members an excellence in their performance and competitiveness, especially in the academic spheres and in the work field, since they are two places of social value. This article, theoretical in nature, aims at addressing the phenomenon of resilience. In order to do so, it presents the definition of the term as it is found in the current literature, pointing out some strategies for its promotion in terms of coping with adversities not only inside the institutions, but also in life. There is an emphasis on the fact that, since resilience is a personal journey, it is important to learn about the phenomenon, and to use that knowledge as a guide.  Keywords:  Academic resilience. Definition. Strategies. 1 INTRODUÇÃO Reconhece a queda e não desanima. Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima (Paulo Vanzolini). A revolução da educação ao longo das últimas décadas tem alterado o cenário educacional em diversos aspectos. Uma das principais transformações tem a ver com a 1  Mestra em Psicologia pela UFSC e Doutoranda em Saúde Coletiva na UFSC. E-mail: idonezia@hotmail.com 2  Mestre em Antropologia Social pela UFSC e Doutorando em Psicologia na UFSC. E-mail: joaoroberti@gmail.com 3  Doutora em Psicologia pela UFSC e Professora da UFRR. E-mail:fernandaax@gmail.com    Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, ISSN 1984-2147, Florianópolis, v.9, n.23, p.14-23, 2017. 15 contínua expansão de matrículas de crianças em escolas de todo o mundo. Como a taxa de alunos matriculados aumentou, mais alunos socialmente menos favorecidos – aqueles que costumavam ser excluídos – foram incorporados ao sistema de ensino, inclusive no ensino superior das universidades federais brasileiras. Essa é, sem dúvida, uma conquista importante em termos de igualdade de acesso à educação, mas, ao mesmo tempo, coloca desafios significativos para a equidade e a qualidade dos trabalhos educacionais. Embora esteja bem documentado que os estudantes de famílias com mais déficits econômicos tendem a um desempenho escolar menos satisfatório, estudos têm demonstrado que, na maioria dos países, existe um grupo de alunos que são academicamente bem sucedidos, apesar de suas srcens desafiadoras. Esses são chamados “Resilientes” (TISSERON, 2007). Na área da educação, os estudos sobre a resiliência têm ganhado reconhecimento como um importante marco, a partir do qual podemos entender porque alguns alunos se tornam mais bem sucedidos na escola, enquanto outros, em semelhantes condições, tendem ao fracasso. No contexto escolar, a resiliência acadêmica é uma versão mais específica do conceito maior de resiliência. O conceito mais amplo dá conta de que a resiliência é a capacidade do ser humano para enfrentar, vencer, aprender, crescer e mudar, quando os fatores estressores, as adversidades, interrupções e perdas ocorrem em nossa vida (CYRULNIK, 2004). É a habilidade de sobreviver e prosperar, mesmo vivenciando infortúnios, como bem marcado na obra do poeta Vanzolini, presente na epígrafe que dá início a esse trabalho. A resiliência acadêmica refere-se à disposição do indivíduo para perseverar em tarefas acadêmicas, mesmo quando ele se sente frustrado (POLETTI; DOBBS, 2007). Em outras palavras, academicamente resiliente é aquele que alcança sucesso, apesar da presença de condições adversas – traumas, grande pobreza, enfermidade grave, divórcio dos pais, luto pesado, etc. Vale enfatizar que a maneira como os alunos respondem a todos esses desafios é fundamental para o sucesso, em todos os níveis, e contribui para a sensação geral de bem-estar e saúde; e a Resiliência é o elemento-chave para evitar o esgotamento – físico e mental – a depressão e a fadiga (MEYER et al., 2006). Pessoas resilientes possuem um temperamento mais adaptável e flexível, apresentando tolerância à frustração. São otimistas, se antecipam aos problemas, tendem a resolvê-los de maneira lógica e arranjam soluções criativas para os desafios e as “saias  justas” da vida. Eles mantêm uma autoestima positiva e, frequentemente, são bem-    Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, ISSN 1984-2147, Florianópolis, v.9, n.23, p.14-23, 2017. 16 humorados frente aos revezes do cotidiano. Geralmente, são curiosos, aprendem com as experiências – positivas e negativas – e apresentam uma atitude orientada para o alcance do sucesso (GASPARINI, BARRETO, e ASSUNÇÃO, 2005). Então, a resiliência é um fenômeno que revela a capacidade encontrada por algumas pessoas de encontrarem forças e recursos, no seu mundo pessoal, que lhes permitam enveredar por trajetórias desenvolvimentais adaptativas e positivas, mesmo em condições adversas (GROTBERG, 2005). Várias celebridades têm relatos e ou biografias que revelam estados de resiliência: Nelson Mandela, Anne Frank, Hellen Keller, etc. Visto que nenhum de nós está livre das dificuldades da vida, e em alguns (e diferentes) momentos estamos mais vulneráveis, é como enfrentamos esta vulnerabilidade, e o significado que nós escolhemos para elaborar os problemas ou a situação de desconforto, que pode nos levar à resiliência. A boa notícia é que todos nós temos essa capacidade, embora a resiliência não seja um estado fixo, permanente e, por essa razão, deva ser buscada, trabalhada, desenvolvida (UNGAR, LIEBENBERG e DIDKOWSKY, 2007). A disposição para resistir a adversidades dependerá do número de fatores de estresse que enfrentamos, dos mecanismos de proteção que temos e do suporte que está disponível para nós em determinados momentos (TISSERON, 2007). Então, a promoção da resiliência em nós mesmos, nossos colegas e nossos alunos deveria ser uma preocupação de todos os currículos escolares, uma vez que o futuro, e a própria vida, é imprevisível. Sem dúvida, em algum momento, vamos encontrar vários desafios que requerem o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento flexíveis e adaptáveis, de competências pessoais responsivas, de habilidades para resolução de problemas críticos e criativos e de pensamento otimista, positivo e decidido. Para isso, é necessário que se aborde o tema da Resiliência, ainda que de maneira superficial, devido à complexidade do assunto. Assim, o presente artigo objetiva abordar a importância da resiliência enquanto fenômeno que pode ser construído, desenvolvido e promovido, principalmente como suporte das redes de apoio significativas. Algumas explicações e estratégias para a promoção da resiliência são aqui apontadas; elas podem auxiliar professores e alunos a enfrentar os desafios do ambiente acadêmico e da vida. 1.1 Por que é Importante Saber Sobre o Fenômeno da Resiliência Acadêmica?    Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, ISSN 1984-2147, Florianópolis, v.9, n.23, p.14-23, 2017. 17 Compreender os processos envolvidos na resiliência acadêmica pode fornecer ferramentas conceituais e teóricas para quebrar o ciclo intergeracional de desempenho acadêmico pobre, perspectivas de emprego escassas e pobreza crônica. Além disso, o conhecimento sobre esse assunto pode contribuir para estabelecer uma base sólida para o desenvolvimento de políticas e práticas eficazes para a promoção da resiliência no ambiente acadêmico e na comunidade. É importante salientar que aprender qualquer coisa pode ser um processo inerentemente frustrante (LEAL, 2010). Se já soubéssemos tudo, não estaríamos continuamente em processo de aprendizagem. Portanto, ter uma personalidade mais inclinada para a tolerância a frustrações é um fator importante para o sucesso e, no caso da resiliência do professor, para ajudar o aluno a se tornar um bom acadêmico. Como educadores, nossa missão é cuidar dos alunos. Nosso trabalho é ajudar a garantir seu sucesso e fazer com que eles desenvolvam habilidades, atitudes e conhecimentos necessários para levar uma vida feliz, produtiva e cidadã. Então, como manter a qualidade de vida e o equilíbrio emocional em face de tamanha responsabilidade? Embora não haja antídoto garantido a sentimentos de impotência e depressão, há estratégias que têm se mostrado eficazes em promover e reforçar a resiliência. Como tal, elas são companheiras no enfrentamento, na superação, no fortalecimento e na transformação da pessoa ao vencer e ser transformada pelas experiências adversas. Portanto, é vital promover a capacidade de cada indivíduo para desenvolver resiliência. 1.2 Estratégias para Promover a Resiliência Acadêmica Nem todas as pessoas que enfrentam adversidades tornam-se apáticas e deprimidas. Alguns apresentam resiliência – não se deixam abater e oprimir pelos problemas. Desenvolver depressão ou resiliência depende em grande parte dos sentimentos de impotência ou capacidade vivenciados por cada indivíduo. Para o aluno reconhecer-se como resiliente, ele deve sentir a sensação de ter a capacidade de poder fazer algo – de ter controle sobre as situações adversas, enfrentando seus desafios (DESMOND e MACLACHLAN, 2006). Nessa linha de pensamento, é importante que os alunos se sintam seguros para assumir riscos, que sejam incentivados a ter uma chance de ousar, fazer algo diferente do qual eles gostem. Se eles têm medo de falhar em alguma coisa, é fundamental ajudá-los a encontrar mais "seguras" para tomar a iniciativa, nas primeiras tentativas. É essencial    Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, ISSN 1984-2147, Florianópolis, v.9, n.23, p.14-23, 2017. 18 dar feedbacks  significativos e assegurar de que a opinião dele(a) é construtiva e significativa, para que os alunos saibam o direcionamento a seguir (LEAL, 2010). Não se trata apenas de apresentar a nota como resultado das avaliações, mas sobre como eles estão se desenvolvendo no processo da aprendizagem. Enquanto a personalidade é em parte inata, também pode ser muito influenciada pela experiência e pelos eventos do contexto (UNGAR, 2006). Portanto, o professor pode promover a resiliência acadêmica incentivando seus alunos a não desistir quando surgem dificuldades. É igualmente importante promover oportunidades para que os alunos se sintam desejados, valorizados, bem sucedidos e esperançosos, de forma a enriquecer os estudos e estimular o desempenho acadêmico. Da mesma forma, é fundamental incentivá-los a serem positivos, sem criar expectativas sobre algo que é difícil de alcançar êxito (ANTUNES, 2007). Inovar a prática e as estratégias de ensino é vital facilitar níveis mais altos de engajamento dos alunos no pensamento crítico. Durante tais exercícios, eles podem aprender e construir informações consideradas essenciais para ganhar proficiência em áreas do conhecimento, enquanto, ao mesmo tempo, o foco também estará associado a fatores relacionados à resiliência – no momento em que seus conhecimentos são utilizados em contextos pessoalmente relevantes (IMBERNÓN, 2011). Lembrando que a qualidade de uma boa aula depende muito da qualidade de vida do professor, é prudente refletir sobre algumas estratégias de enfrentamento de problemas, com a finalidade de oferecer recursos para que os profissionais do ensino possam lidar, de maneira mais eficaz, com situações desafiadoras e, ainda assim, manter ou recuperar uma perspectiva saudável. Não se pode mudar o que aconteceu no passado, mas é possível sempre olhar para o futuro. Aceitar e até mesmo antecipar a mudança faz com que seja mais fácil se adaptar e ver novos desafios com menos ansiedade. Torne cada dia um dia significativo. Faça algo que lhe dê sensação de realização. Defina metas para ajudá-lo a olhar para o futuro com significado (POLETTI, R. e DOBBS, 2011). É sempre bom realçar que os professores fazem a diferença, quando valorizam a profissão. É salutar refletir: em que outra atividade você teria a chance de influenciar diariamente a vida de uma pessoa? Não existe local de trabalho perfeito, muitas vezes o salário não é compatível com o trabalho exercido e a rotina parece implacável. Mesmo assim, ainda é melhor trabalhar para melhorar o cenário; sentar, conversar, discutir e até reclamar, mas em momentos apropriados para isso, levando sempre sugestões para solucionar problemas.
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