Products & Services

30 pages
24 views

Ethos, Society and Cultural Influence / Ethos, Sociedade e Influência Cultural

Please download to get full document.

View again

of 30
All materials on our website are shared by users. If you have any questions about copyright issues, please report us to resolve them. We are always happy to assist you.
Share
Description
Based on an analysis of the effects of racism on Brazilian socio-cultural reality, this essay proposes a theoretical incursion willing understand how the dynamics of culture can promote the human differentiation and influence the constitution and the
Transcript
  “Anthropos” ©2016 Eduardo Galvani  ETHOS, SOCIEDADE E INFLUÊNCIA CULTURAL   ©2016 Eduardo Galvani    ETHOS, SOCIETY AND CULTURAL INFLUENCE ©2016 Eduardo Galvani   ABSTRACT: Based on an analysis of the effects of racism on Brazilian socio-cultural reality, this essay proposes a theoretical incursion willing understand how the dynamics of culture can promote the human differentiation and influence the constitution and the transformations of ethos   and societies. The concept of "mutual incorporation" was developed here in order to represent the fundamental aspect of this phenomenon.   KEY WORDS: Racism, Society, Ethos, Culture, Mutual Incorporation.   RESUMO: A partir de uma análise sobre os efeitos do racismo na realidade sócio-cultural brasileira, este ensaio propõe uma incursão teórica no intuito de compreender de que maneiras a dinâmica da cultura pode promover a diferenciação dos humanos e influenciar na constituição e na transformação do ethos   e das sociedades. O conceito de "incorporação mútua" foi desenvolvido aqui com o objetivo de representar um aspecto fundamental deste fenômeno.   PALAVRAS-CHAVE: Racismo, Sociedade, Ethos, Cultura, Incorporação Mútua.    Quando o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss publicou “Raça e História”, fez seus leitores pensarem sobre a natureza espaço-temporal das diferenças culturais humanas, mas também evidenciou a srcem natural e biológica de semelhanças que transcendem qualquer determinação histórica: “... se tratarmos os diferentes estados em que se encontram as sociedades humanas, tanto antigas como longínquas, como estágios ou etapas de um desenvolvimento único que, partindo do mesmo ponto, deve convergir para o mesmo fim, vemos bem que a diversidade é apenas aparente.” (Claude Lévi-Strauss. Raça e História, P. 336) A noção de que os seres humanos podem ser tão parecidos em alguns aspectos (pense em irmãos gêmeos monozigóticos) e tão diferentes em outros (quão infindáveis as variações culturais ao redor do planeta) é talvez tão antiga quanto a própria existência humana. Se à humanidade são atribuídas características biológicas e antropomórficas que se conservam relativamente homogêneas e estáveis ao longo do tempo (1)  e em qualquer região do planeta, por outro lado, as culturas humanas podem variar de maneira bastante surpreendente conforme a época e o lugar. Então, quais aspectos da condição humana (2) são mais dependentes das influências culturais? Compreender esta questão pode ajudar a entender melhor de que maneira algumas culturas, sociedades e comportamentos humanos diferenciam-se tanto uns dos outros. Deste modo, o principal objetivo deste ensaio é compreender aspectos relativos à srcem das diferenças humanas a partir de uma análise que busca evidenciar alguns modos de influência mútua entre a cultura, o ethos   e a sociedade. A este fenômeno atribuí o termo “incorporação recíproca”, de modo que a influência da cultura incorporada , ou “ absorvida para dentro de si” , no âmbito individual ou por uma coletividade do “corpo social”, é capaz de orientar tanto a formação e a transformação do ethos, quanto a configuração e a transformação de toda uma sociedade humana. Por outro lado, um ethos   já existente e uma sociedade já configurada também promovem suas respectivas influências na cultura. Portanto, pretende-se  investigar através desta análise alguns modos com que a cultura, o ethos   e a estrutura social são capazes de influenciar e de incorporar qualidades entre si de forma recíproca e constante. Entretanto, para um melhor entendimento do assunto, parece pertinente neste momento uma breve incursão em algumas noções que constituem o conceito de Cultura , e de que maneira nas ciências humanas a ideia de Cultura  diferencia-se da ideia de Raça . Em “A Invenção da Cultura”, o antropólogo Roy Wagner sugere que a Cultura  (com inicial maiúscula) é a capacidade inventiva e criativa dos indivíduos humanos, a qual pode manifestar-se tanto na dimensões físicas e materiais (artefatos, etc.), quanto nas dimensões simbólicas e imateriais (linguagens, etc.). Em sua teoria, Roy Wagner também busca definir o que seria um “elemento cultural”— de modo resumido: qualquer aspecto humanamente identificável e traduzível   da realidade — (aquilo que o filósofo suíço Ferdnand Saussure classificou de significante : com potencial de ser significado ) e afirma que a “ Cultura” , enquanto capacidade inventiva da mente humana, torna-se possível através dos processos mentais de simbolização convencional e de simbolização diferenciante dos elementos culturais. No processo de simbolização convencional, os elementos culturais são assimilados ou interpretados em uma dimensão convencional (comum) de determinado contexto cultural, através da qual os elementos culturais podem simbolizar ou representar os mesmos significados para indivíduos diferentes. No processo de simbolização diferenciante, os elementos culturais são assimilados ou interpretados em uma dimensão “diferenciante”, singular ou própria de cada indivíduo, através da qual os mesmos elementos culturais podem então simbolizar ou representar significados diferentes ou exclusivos para cada indivíduo. Assim, o fenômeno da “incorporação recíproca” (a influência mútua entre a cultura, o ethos   e a estrutura social) também pode ocorrer a partir dos mesmos processos de simbolização convencional ou diferenciante. Claude Lévi-Strauss, por sua vez, sugere que as culturas (com inicial minúscula) representam os sistemas simbólicos (também constituídos de elementos e artefatos materiais e imateriais) formados pela acumulação criativa (ou cultural) da mente humana. Do mesmo modo, outros antropólogos defendem que as culturas   são sistemas de adaptação  humana (3) . Portanto, se a Cultura é entendida por uma capacidade humana inata, e as culturas   humanas são formadas em consequência desta capacidade a partir de habilidades adquiridas e aspectos materiais e imateriais bastante dinâmicos e variáveis, por outro lado, as diferentes raças   constituem-se a partir de distinções físicas exclusivamente inatas e meramente aparentes que não predominam sobre aqueles atributos ou condições culturais e comportamentais compreendidos no conceito filosófico de humanidade (4) : o intelecto, o discernimento moral, a cognição, a capacidade de pensamento lógico e racional, as linguagens e formas de expressão, percepção e de sensibilidade física e emocional, a empatia, a solidariedade, o afeto, a autoconsciência, a alteridade, e etc. Qualidades humanas universais tão essenciais para o desenvolvimento das culturas e da vida em sociedade, que a ausência ou a perversão destas características pode converter seres humanos em meros antropóides bestiais — talvez daí a necessidade de enfatizar a indispensável influência da Cultura no desenvolvimento da humanidade , além da fundamental distinção entre raça e cultura e os diferentes modos de influência cultural   e “incorporação recíproca”   na formação do e thos   e das sociedades humanas. Penso que por estes motivos a influência mútua entre ethos  , cultura e o desenvolvimento das sociedades humanas tornou-se mesmo o tema central desta análise. E se neste momento pode parecer ainda um pouco difícil diferenciar o ethos   da cultura , as distinções conceituais tendem a ficar mais evidentes com as noções apresentadas no decorrer do texto. Gostaria ainda de refletir um pouco sobre as diferenças entre raça e cultura, pois penso que clarificar melhor esta distinção pode promover um entendimento mais completo acerca do próprio conceito de humanidade. Para isto proponho agora um simples exercício de raciocínio lógico, algo talvez até bobo, mas que pode contribuir bastante para o entendimento desta questão: se enfileirarmos lado a lado absolutamente todos os mais de 7 bilhões de habitantes do planeta, de modo que o indivíduo com a pele mais escura permaneça no lado direito da fila, e o indivíduo com a pele mais clara permaneça no lado esquerdo da fila, e então compararmos um a um, cada qual com seu vizinho de fila com a cor de pele mais parecida, chegaremos à conclusão de que nenhum deles terá a pele absolutamente idêntica ao outro, mesmo que sejam irmãos gêmeos monozigóticos, em virtude das variações comportamentais e ambientais (tempo de exposição ao sol por exemplo). O que se verá, de fato, do início ao fim, será uma
Related Documents
View more...
We Need Your Support
Thank you for visiting our website and your interest in our free products and services. We are nonprofit website to share and download documents. To the running of this website, we need your help to support us.

Thanks to everyone for your continued support.

No, Thanks
SAVE OUR EARTH

We need your sign to support Project to invent "SMART AND CONTROLLABLE REFLECTIVE BALLOONS" to cover the Sun and Save Our Earth.

More details...

Sign Now!

We are very appreciated for your Prompt Action!

x